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Profissional relembra os marcos históricos da Medicina Veterinária

Da criação aos dias atuais: Profissional relembra os marcos da profissão

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Para entender a importância de uma decisão, fato ou situação, nada melhor do que mergulhar em seus dados e narrativas históricas. Assim, o assunto passa a ser mais familiar e, consequentemente, melhor entendido, recebendo o devido retorno. Sendo assim, para abordar a Medicina Veterinária, que forma inúmeros profissionais por ano, só no Brasil, consultamos sua árvore genealógica.

Em 1911, a primeira instituição de ensino da profissão no Brasil foi criada: Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária de São Bento, em Olinda (PE). Esta foi a primeira a formar um médico-veterinário no Brasil, o então farmacêutico Dionysio Meilli, formado pela Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia; em 1913, foi a vez da instauração da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária e da Escola de Veterinária do Exército, ambas na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

No entanto, apesar da existências desses locais de conhecimento, somente a partir de 09 de setembro de 1933, por meio do Dec. nº 23.133, do Presidente da República, Getúlio Vargas, é que as condições e os campos de atuação do médico-veterinário foram normatizadas. Quem relembra esses fatos é a médica-veterinária e assessora Técnica, do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF), Erivânia Camelo.

“Para o exercício profissional, tornou-se obrigatório o registro do diploma, que passou, a partir de 1940, a ser feito na Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário, do Ministério da Agricultura, órgão igualmente responsável pela fiscalização do exercício profissional. O decreto representou um marco na evolução da Medicina Veterinária, cumprindo sua missão por mais de três décadas e, em seu reconhecimento, é que a data de sua publicação, 09 de setembro, foi escolhida para se comemorar o Dia do Médico-Veterinário Brasileiro”, narra.

Apesar do reconhecimento chegado neste ano, a profissional ainda menciona que apenas em 23 de outubro de 1968 entrou em vigor a Lei 5.517, de autoria do então Deputado Federal Dr. Sadi Coube Bogado, que dispõe sobre o exercício da profissão e cria os Conselhos Federal e Regionais, transferindo para a própria classe a função fiscalizadora do exercício profissional. “Isso porque o Governo sempre se mostrou inoperante nessa atividade”, cita. Portanto, neste ano de 2018, a profissão completa exatos 50 anos de regulamentação.

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Profissional do futuro deve acompanhar a evolução do mundo, além de todas as áreas
da Medicina Veterinária e diversos segmentos econômicos (Foto: reprodução)

Desafios da profissão. Como discorrido por Erivânia, o médico-veterinário sai da universidade um grande generalista. “Desenvolver e estabelecer competências e especialidades é um dos grandes desafios para estes profissionais”, analisa e ainda afirma ser necessário contribuir para o desenvolvimento das competências humanísticas nos futuros veterinários. “A ideia é trabalhar não só as competências técnicas dos profissionais, mas, também, outras qualificações, como liderança, atenção à saúde, comunicação, tomada de decisão, administração, gerenciamento e educação permanente”, insere.

Segundo a assessora Técnica, acerca das especialidades, o CFMV já habilitou 12 entidades para a concessão de títulos de especialista em: Cardiologia, Clínica Médica de Pequenos Animais, Acupuntura, Dermatologia, Oncologia, Patologia, Medicina Veterinária Intensiva, Cirurgia Veterinária, Anestesiologia, Homeopatia, Medicina Felina e Medicina Veterinária Legal. “Esperamos que outras especialidades sejam igualmente reconhecidas e regulamentadas”, afirma.

Nesse sentido, a qualidade da educação é algo que preocupa o CFMV, se apresentando como um constante desafio. “A proliferação dos cursos de graduação de Medicina Veterinária com qualificação deficiente demanda atenção e é uma adversidade a ser enfrentada. Nossa ideia é trabalhar para coibir a abertura de cursos superiores sem condições mínimas de oferecer formação de qualidade e que também não atendam aos requisitos da necessidade social local”, revela.

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Erivânia Camelo é assessora Técnica do Conselho
Federal de Medicina Veterinária (Foto: divulgação)

Responsabilidades. Para Erivânia, o profissional do futuro deve acompanhar a evolução do mundo e isso, em sua visão, engloba todas as áreas da Medicina Veterinária e diversos segmentos econômicos, como a suinocultura, bovinocultura, apicultura, aquicultura, indústria de pet, entre outros. “Hoje, fala-se muito em Saúde Única, tripé que engloba a saúde animal, ambiental e humana, e ela necessita da participação do médico-veterinário”, frisa.

Os veterinários também são responsáveis pela promoção da saúde e do bem-estar animal, pela saúde pública e segurança alimentar, como destacado pela profissional. “Sendo assim, os serviços veterinários são considerados um bem público mundial e o veterinário tem uma importância incalculável na sociedade, fazendo com que seja uma profissão muito valorizada”, opina.

Inclusive a quantidade de cursos de Medicina Veterinária no País demonstra o grande interesse pela profissão, na avaliação de Erivânia: “Obviamente, temos que focar na qualidade da educação e dos profissionais que entram no mercado a cada ano, mas é inegável a procura pela formação e a expansão dos campos de atuação do veterinário”.

Os veterinários assumem um papel fundamental na defesa da saúde da sociedade, orientando, fiscalizando e disciplinando as atividades relativas à profissão, promovendo a educação continuada em todo o País, conforme sublinhado pela profissional. “Essa é, inclusive, uma das funções do Conselho: valorizar e proteger os profissionais que atuam com disciplina, além de abrir caminho para novos campos de atuação regularizados”.

Pensando nesse profissional tão importante ao mercado, tutores, animais e, também, para a equipe da C&G VF, publicaremos, durante todo o mês, reportagens semanais destacando o veterinário enquanto ser humano e não somente como é fortemente conhecido, um prestador de serviço. Mas, desde já, nesse dia tão especial, te desejamos uma longa jornada na profissão!

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