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Pesquisadores analisam método não invasivo de monitoramento da medula

Tese chama atenção para a necessidade de diagnósticos e técnicas objetivas

Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da Universidade de São Paulo (USP, São Paulo/SP), busca introduzir no ramo um promissor método de inspeção da medula espinhal. Os “potenciais evocados” prometem ser um recurso não invasivo, barato e preciso para diagnosticar lesões, acompanhar tratamentos e, possivelmente, monitorar procedimentos cirúrgicos no local. 

Lesões na medula espinhal podem causar desde dor até perda da sensibilidade em um ou mais membros. A tese de Maria Claudia de Campos Mello Inglez de Souza, “Avaliação das técnicas de obtenção de potenciais evocados somatossensitivo e motor transcraniano em cães hígidos e portadores de doença do disco intervertebral toracolombar”, coordenada por Julia Matera, do Departamento de Cirurgia da FMVZ-USP, chama atenção para a necessidade de modalidades de diagnóstico e técnicas de monitoramento objetivas para acompanhar as vias neurais, possibilitando acompanhar o tratamento e prever seus resultados. 

Para isso, Maria Claudia buscou verificar a aplicabilidade de uma ferramenta comum na Medicina Humana, mas pouquíssimo explorada na Veterinária: os potenciais evocados. Tratam-se de registros obtidos em determinada porção do sistema nervoso central após um estímulo e que permitem analisar a transmissão de sinais pela medula espinhal e, assim, a integridade da mesma. 

pesquisamedula
Durante o estudo, foram analisados cães
Dachshund por conta da alta frequência desse tipo
de lesão na raça (Foto: reprodução)

Quando o estímulo ocorre em um nervo periférico (que liga o sistema nervoso central aos órgãos e músculos), percorre a medula e é captado na região do encéfalo, trata-se do potencial evocado somatossensitivo. “Ou seja, se houver uma lesão afetando as vias sensitivas no meio do caminho, o potencial não vai ter o registro que deveria”, explica a doutoranda. Os potenciais, segundo ela, são registrados em forma de onda e a análise de seu comprimento e amplitude permite verificar a qualidade da transmissão de sinais pela coluna. Podem, também, ser motores, quando o estímulo ocorre no córtex, percorre a medula no sentido contrário, e é captado nos músculos. 

Durante o estudo, foram analisados cães da raça Dachshund, que apresentavam lesões pelo deslocamento de um disco intervertebral (uma articulação entre as vértebras da coluna que permite a flexibilidade e amortecimento dos movimentos) em direção à medula espinhal. Segundo Maria, a escolha da raça se deu pela alta frequência desse tipo de lesão na mesma.

Foram utilizados três grupos: Dachshunds saudáveis, cujos donos concordaram voluntariamente em participar do estudo; os paraplégicos que ainda apresentavam nocicepção (capacidade de processar estímulos nocivos resultantes em dor); e os paraplégicos, cuja sensibilidade se apresentava mais danificada, aparentemente sem nocicepção. Estes dois últimos grupos eram pacientes do Hospital Veterinário da USP (Hovet) e o teste dos potenciais evocados foi aplicado nos animais antes de exames de tomografia. 

Além de ser um método objetivo de avaliação, que permite uma percepção precisa do decorrer do tratamento, os potenciais evocados podem ser essenciais ao diagnóstico e, inclusive, gerar surpresas. “Nós conseguimos, além da avaliação clínica, dizer se existem fibras nervosas na medula que ainda são viáveis (transmitem sinais) e, portanto, se é um animal com que vale a pena investir em tratamento e fisioterapia”, declara. 

Leia a tese completa aqui

Fonte: FMVZ-USP, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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