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Profissional comenta critérios a serem atendidos para adoção de pets

Caso da atriz Claudia Ohana, que devolveu dois animais à ONG, mesmo com a intenção de ser algo temporário, causou polêmica

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Não é a primeira e, infelizmente, não sabemos se será a última vez em que famosos têm seus nomes associados a polêmicas envolvendo animais de estimação. Os holofotes, dessa vez, se voltaram para a atriz Claudia Ohana, que foi acusada pela ONG Projeto Toca do Bicho de ter devolvido dois cães que adotou em dezembro de 2019.

Por outro lado, a atriz se defendeu afirmando que apenas tinha deixado os animais temporariamente no abrigo, para cuidar de sua saúde, mas que tinha a intenção de busca-los novamente. No entanto, Claudia foi surpreendida com uma publicação da ONG anunciando os pets para uma nova adoção.

Para evitar esse tipo de confusão e estresse ao animal, a diretora da AmahVet Clínica Veterinária e voluntária da ONG Abrigo Chácara da Dolores, Alexandra Gimenez, explica a importância da guarda-responsável de animais de companhia. “É uma posse ou adoção, onde exista a consciência de que o animal possui uma longa expectativa de vida. Assim, é preciso saber que os pets precisam de cuidados veterinários, vacinas, exames de check-up e que podem ficar doentes. Precisam de boa alimentação, carinho, segurança e passeios. O adotante terá que saber que, durante a vida desse pet, terá que prover amor e cuidados físicos e emocionais”, salienta.

Um dos itens básicos para a adoção é todos os membros
da família estarem de acordo com a chegada do pet
(Foto: reprodução)

Na maioria das vezes, quem procura a adoção é apenas um membro da família, mas Alexandra menciona que, no dia a dia, esse pet terá contato e também será responsabilidade de todos os outros moradores da casa. “Por este motivo, é importante sabermos, ao procurarem um animal para adoção, se todos da família estão de acordo com a adoção. Isso evitará conflitos e futuras devoluções”, avalia.

Escolha do tutor ideal. Responsável por realizar as entrevistas com os interessados em adotar animais do Abrigo Chácara da Dolores, Alexandra conta que a cada 100 entrevistados é possível encontrar um lar para apenas dois animais, em média. “Isso porque a maioria é considerada inapta por diversos motivos: possuir muitos pets, oferecer alimentos inadequados, não possuir um local com espaço adequado ao porte do animal ou telas nas janelas - no caso da adoção de gatos, etc.”, revela.

O interessado em adotar um animal entra em contato com a ONG e recebe um questionário para que seja possível os voluntários da entidade conhecerem melhor seu perfil e o pet de interesse. Pelo menos, esse é o processo no abrigo em que Alexandra trabalha. “Após isso, um voluntário entra em contato, atualmente por telefone, e promove um bate-papo para identificar as características que ele procura em um animal, o porquê da adoção, informações de como é a rotina da casa e da família que irá acolher o pet. Enfim, quanto mais informações temos nessa conversa, mais rico será o perfil do adotante”, explica.

Após o questionário, entrevista e análise de perfil, a profissional conta que é escolhido um animal que tenha as características necessárias para aquele adotante. “Enviamos fotos e vídeos do pet e pedimos uma chamada de vídeo com o possível tutor, para que ele nos mostre como é o ambiente em que o cão ou gato irá morar, para avaliarmos se atende os requisitos básicos de segurança para abrigar o novo membro da família”, compartilha.

Adotante deve ter em mente que o animal vive, em média,
15 anos ou mais e, enquanto viver, precisará de amor
e cuidados (Foto: reprodução)

Depois de todo esse processo, é agendado um horário para que o interessado e o pet se conheçam pessoalmente e, assim, a adoção é concretizada. No entanto, mesmo com todo o processo de escolha muito bem definido e uma seleção criteriosa, Alexandra afirma: “É impossível termos 100% de certeza desse comprometimento. Porém, algumas coisas sempre nos servem como indicadores, como: ‘quero adotar e quero hoje’, como se fosse uma compra por impulso”, observa.

Para ela, um bom adotante sabe que é uma decisão pensada. “Ele procura conhecer bem o pet, busca se informar sobre adoção de filhotes e de adultos, cuidados que deverá ter, como deverá preparar a casa e os itens básicos que deverá comprar. Pessoas que já possuem outros animais em casa e esses se encontram com vacinas desatualizadas, normalmente, indicam um sinal negativo”, informa. A adoção de um pet para dar de presente para uma criança também é motivo de alerta: “Sabemos que a criança ainda não está preparada para tamanha responsabilidade”, insere.

Possíveis devoluções. Diferente do que ocorreu com a atriz mencionada no início do texto, Alexandra conta que, no abrigo em que atua, o percentual de devolução do animal adotado é muito pequeno. “Temos um processo de acompanhamento pós-adoção, onde estamos quase que diariamente participando da adaptação do pet em seu novo lar. Ao percebemos ou assim que o adotante manifesta qualquer dificuldade, começamos um trabalho, muitas vezes, indo até a casa do tutor, para tentarmos apoiar e resolver as questões que surgem”, declara.

Como explicado pela profissional, existem vários impactos gerados pela devolução e abandono de animais na Saúde Pública como um todo: “Seja pelo descontrole populacional de cães e gatos abandonados que procriam nas ruas, seja pela possível transmissão de zoonoses ou, até mesmo, de doenças não zoonóticas”, salienta.

Alexandra acredita que a escolha em ter um novo pet seja muito parecida com a decisão de ter um filho. “Temos que ser conscientes de que o animal vive, em média, 15 anos ou mais e que será nossa responsabilidade mantê-lo financeira, física e emocionalmente durante toda a sua vida”, conclui.

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