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Pet idoso e obeso: como aumentar a qualidade de vida?

Neste Dia de Combate à Obesidade, profissional aponta o enriquecimento ambiental como um item importante para a saúde do paciente

Cláudia Guimarães, em casa

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Ela ocorre quando existe um desequilíbrio entre um maior consumo energético em detrimento de um menor gasto. Sedentarismo, nutrição inadequada, genética, castração e algumas doenças hormonais são as principais causas. Acertou quem pensou na obesidade e devemos pensar ainda mais nela, que é uma doença, neste Dia Mundial de Combate à Obesidade.

Conforme explica a médica-veterinária especializada em Endocrinologia e Metabologia, da Clínica de Especialidades Veterinária Vet La Vie (Belo Horizonte-MG), Marina França Oliveira Pellegrino, o metabolismo, ao longo da idade, é afetado como um todo. “Diferentemente dos cães, ao avançar a idade, o gato tende a ter o que chamamos de ‘catabolismo’ mais intenso, logo, uma perda muscular acentuada e, consequentemente, perda de peso também”, aponta.

A profissional explica que, nos cães, acontece o oposto e, juntamente a isso, o metabolismo desacelera. As restrições de atividades físicas são indicadas devido a possíveis problemas articulares e cardiorrespiratório, colaborando ainda mais para o desequilíbrio na balança energética. “E além disso tudo, a ‘humanização’ que fazemos dos nossos pets acaba acentuando o processo. Os animais estão cada vez mais acompanhando o nosso estilo de vida, confinados em apartamento e se alimentando na mesma comida que os humanos”, observa.

As rações para obesidade são bem-vindas para
animais obesos, mas sempre com orientação e
prescrição do veterinário (Foto: reprodução)

Será que meu pet está obeso? De acordo com Marina, o peso fornecido na balança é importante, mas ele sozinho pode não ser de muita valia. “O ideal é que este animal seja pesado, sim, mas, também, avaliado e classificado de acordo com escore corporal, que está disponibilizado em uma tabela classificatória de 1 a 9 (a mais indicada), onde os pontos principais avaliados são: cintura, curvatura abdominal, palpação de costelas, vértebras lombares e do quadril”, descreve.

Com o avanço da idade, as doenças normalmente começam a surgir, o que é normal, como explicado pela veterinária. No entanto, a obesidade de forma concomitante pode agravar esses problemas, contribuir para o surgimento de outras e reduzir - e muito - a qualidade de vida. “A obesidade é uma doença muito complexa, porque afeta, praticamente, todos os órgãos e o metabolismo como um todo. E, como uma doença sistêmica, deve ser manejada cuidadosamente”, alerta.

Como tratar de um animal idoso e obeso?  Marina defende que a obesidade tem que ser vista como uma doença e, como tal, deve ser diagnosticada e tratada. “Primeiramente, temos que investigar a causa da obesidade no animal. Nutricional? Sedentarismo? Castração? Genética? Endocrinopatias? Excluindo as doenças metabólicas, como hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo, fazemos um manejo nutricional criterioso, de acordo com as doenças pré-existentes, juntamente com enriquecimento ambiental e atividades físicas com menos impacto, mais leves e, se possível, com acompanhamento de um fisioterapeuta veterinário”, orienta.

A obesidade é uma doença que afeta, praticamente,
todos os órgãos e o metabolismo do animal como
um todo (Foto: reprodução)

Marina acredita ser importante que todos vejam e se conscientizem que, por trás de um animal “fofo”, está uma doença grave, que é a obesidade. “E, como consequência dessa patologia, várias outras doenças podem surgir, como a diabetes, problemas dermatológicos, doenças cardiorrespiratórias e articulares e tantas outras. E o principal disso tudo: reduz a expectativa e qualidade de vida do animal”, salienta.

Uma dica aos tutores destacada pela veterinária é o enriquecimento ambiental. Segundo ela, um ambiente enriquecido só traz benefícios para um animal, onde também se incluem os pets idosos, por que não? Não é porque você está velhinho que o ambiente ao seu redor tem que ser ‘obscuro’. E isso vale para os animais também. É importante levar mais qualidade de vida, alegria, movimento (mesmo que seja na velocidade lenta) e menos estresse”, assegura.

Em relação às dietas, a profissional revela que existem inúmeras rações no mercado que auxiliam na perda de peso. Mas, para utilizá-las como coadjuvante no tratamento da obesidade em um cão idoso, é preciso levar o animal a um veterinário para certificar que não existe nenhuma doença concomitante, como problemas renais ou cardíacos, muito comum nessa fase. “Caso esteja tudo ok, as rações para obesidade são bem-vindas, mas sempre com orientação e prescrição de um clínico, porque elas são de ‘tratamento’. Caso contrário, muitas vezes, optamos pela formulação de dietas caseiras, prescritas e orientadas por um nutricionista veterinário, que irá atender às demandas do paciente de acordo as doenças existentes”, indica.

Marina comenta que sempre diz aos tutores que vão à sua clínica que a responsabilidade de ter um animal obeso é muito maior do que a própria pessoa ser obesa: “Os animais não têm livre-arbítrio, não fazem escolhas e nem mesmo sabem qual o melhor caminho a se seguir. Nós, seres racionais, fazemos e decidimos por eles. Dessa forma, eles não sabem das consequências e malefícios que a obesidade traz para a saúde, mas nós sim”, encerra.

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