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Não oferecer cuidados básicos ao pet também é considerado abandono

Guarda-responsável começa, antes mesmo, de levar um animal para a casa

Nas ruas, cães e gatos ficam vulneráveis a diversos riscos. Além de passar fome, sede, frio e medo, ficam expostos a doenças e risco de atropelamentos e de sofrerem violência. Além disso, como lembra a médica-veterinária integrante da Comissão Técnica de Bem-estar Animal (CTBEA), do CRMV-SP, Rosangela Ribeiro Gebara, com o isolamento social, as chances de animais de rua receberem algum alimento ou assistência são reduzidas.

A veterinária destaca que, por estarem em situação de estresse, podem apresentar comportamento agressivo e morder pessoas. Além disso, em caso de abandono em trechos de rodovia e outras vias de tráfego de veículos, animais podem provocar acidentes, se ferirem e, também, colocarem em risco a vida das pessoas.

Outro agravante mencionado pela profissional é o risco à saúde coletiva, uma vez que muitas doenças que afetam animais também atingem o ser humano: são as chamadas zoonoses, como é o caso da raiva e da leishmaniose. “Isso significa que o abandono também configura um problema de saúde pública. A responsabilidade pela vida do animal é sempre do tutor. Em casos extremos em que não há condições de ficar com o pet, o proprietário tem o dever de viabilizar que o animal seja doado para um novo lar, certificando-se de que se trata de uma família apta a recebê-lo com suas características comportamentais e, ainda, que possa custear suas despesas”, aponta Rosangela.

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Tutor deve proporcionar assistência veterinária,
ambiente limpo e confortável, um tempo para brincadeiras,
entre outros cuidados (Foto: reprodução)

A outra face. Engana-se quem acredita que abandono se restringe ao ato de colocar o animal para fora de casa. Negligência com as necessidades primordiais aos pets dentro de casa também configura o crime. “Entende-se por abandono domiciliar quando o pet é mantido acorrentado, isolado, sem alimentação adequada, impedido de manifestar comportamentos inerentes à espécie e vivendo em más condições de higiene e saúde”, como explica a veterinária.

Segundo a presidente da CTBA/CRMV-SP, Cristiane Schilbach Pizzutto, trata-se de um ato tão cruel quanto deixar o animal nas ruas. “Além da necessidade de assistência médica-veterinária periódica e ambiente limpo e confortável, para a saúde e bem-estar, os animais precisam interagir e brincar. Portanto, os tutores devem dispor dessa atenção”. Ela explica que os animais são seres sencientes, o que quer dizer que eles são passíveis de sofrimento a partir dos estímulos que recebem.

De acordo com Cristiane, o impacto negativo no bem-estar de um cão ou gato tem efeitos diversos, que vão interferir na saúde do pet e, também, podem agravar situações que dificultam o convívio das famílias com os animais. As mudanças comportamentais são exemplos bem ilustrativos destes casos. “Se submetido a situações de estresse, o animal pode, por exemplo, passar a ter compulsão por se lamber e, a partir disso, desenvolver um problema de pele”, comenta a médica-veterinária, que explica que as compulsões podem se manifestar de inúmeras outras formas. Já no caso de animais que nunca passeiam, nem brincam de forma a gastar energia, pode haver outros tipos de desdobramentos, como obesidade, diabetes, problemas cardíacos e respiratórios, entre outros.

Neste contexto, é essencial saber, ao adotar um animal, que, além de despesas, ele demanda dedicação, tempo, carinho, além de exigir que os tutores estejam sempre sensíveis para observar o que está sinalizando com seu comportamento. “Essa clareza pode ser considerada o primeiro passo para a prática da chamada guarda-responsável. Isso porque ela começa a ser exercida antes mesmo de se adquirir um pet, quando esses entendimentos e as reflexões e avaliações influenciam para que não haja uma adoção ou compra por impulso”, comenta Cristiane.

A partir do momento em que o pet é recebido e integrado ao lar, esta guarda-responsável se dá com um conjunto de medidas para que os animais vivam em saúde e bem-estar, tendo respeitada a sua condição de animal. Isso se dá com: assistência médica-veterinária periódica ou sempre que o animal precisar; alimentação adequada; água limpa à vontade; ambiente limpo e confortável (se em área externa, protegido de sol e chuva); vacinações anuais; controle e prevenção contra vermes, pulgas e carrapatos; castração; momentos reservados todos os dias para passeios e brincadeiras; compreensão dos comportamentos inerentes à espécie.

Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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