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Gatos, os pets do futuro, ainda carregam heranças de seus ancestrais

Conhecer os hábitos de seus ascendentes auxilia no manejo nutricional do animal

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

O tutor de gato que nunca ouviu alguém falar que a espécie escolhida como pet é cheia de ‘não-me-toques’ deve seguir com a certeza de que, em algum momento, vai ouvir. No entanto, as pessoas que não têm relação nenhuma com os felinos jamais podem imaginar que determinadas atitudes se dão por conta de seus ancestrais. É real! O famoso ‘instinto’ existe e ele mostra mais do que os olhos podem ver.

Para facilitar o manejo, tanto comportamental como nutricional, deste pet é preciso, de acordo com a consultora Técnica da Royal Canin, responsável pela região da Grande Sorocaba, Juliana Camilo, entender o hábito de sua geração passada. “Os felinos são descendentes dos gatos selvagens africanos e os cães dos lobos. Pensando nos hábitos, quando falamos nos lobos, eles consomem uma dieta rica em gorduras e, muitas vezes, caçam, enterram e voltam depois para comer. Já os ancestrais dos felinos caçavam mesmo sem fome, apenas por hobby, e as dietas eram mais ricas em proteínas”, relembra. Diferente dos lobos, eles preferem os animais frescos, caçando e já comendo. “Por isso, o gato não aceita o alimento úmido servido gelado, após retirado da geladeira. Ele gosta de uma temperatura mais ambiente”, comenta.

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Quanto mais cedo o pet tiver contato com variadas opções
de alimentos, melhor ele irá se adaptar (Foto: reprodução)

Dieta adequada. Juliana aponta que a alimentação dos felinos deve ser restritamente carnívora, o que não significa, necessariamente, que ele deva se alimentar só de carne. “Eles têm uma dependência muito maior de aminoácidos essenciais. Se você tira um alimento que tem bastante proteína, perde o fornecimento de taurina, por exemplo, o que pode levar o pet a ter, inclusive, problemas neurológicos”, destaca. Essa alimentação é facilitada para a espécie devido ao maxilar, que já é adaptado para corte e não para mastigação. “Além disso, eles possuem 30 dentes na boca e a saliva não possui enzimas digestivas”, adiciona.

A profissional também afirma que, quanto mais cedo o pet tiver contato com variadas opções de alimentos, melhor ele irá se adaptar e aceitar a alimentação pelo resto de sua vida. “Caso o filhote não seja alimentado com ração úmida, por exemplo, mais tarde, ele poderá rejeitar o sachê por conta da textura”, esclarece.

Ela também defende que é interessante oferecer uma dieta conforme o porte, a raça, a idade e as necessidades específicas de cada animal. “Até os 4 meses de idade, os filhotes têm uma necessidade maior de energia, ou seja, gordura. Após essa fase, é preciso oferecer mais proteína, pois, se a gordura é mantida, teremos um filhote obeso e, por consequência, um adulto obeso”, alerta. Quando o animal completa um ano, segundo Juliana, é preciso ter controle para que ele não fique com sobrepeso por dois motivos: “O metabolismo vai diminuir e, geralmente, o pet é castrado e começa, naturalmente, a engordar, seja por questões hormonais ou porque desempenhará menos atividades físicas”, explica.

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A longevidade média dos felinos é de 14 anos, mas alguns
podem chegar até os 20 (Foto: reprodução)

Já aos 7 anos, eles começam a apresentar uma redução no nível de atividade e, aos 12, uma perda muscular, o que, na visão da profissional, também merece atenção em relação à gordura e à proteína. “Além dessas dicas, pensando na saúde e longevidade do pet, é preciso evitar alguns alimentos que, inclusive, são considerados tóxicos para felinos, o que vai além da questão de controle de peso. Muitos alimentos oferecidos aos gatos podem os levar aà anemia e a diversos outros problemas. Entre eles, cebola e alho; ossos de carnes, que podem causar lesões, perfurações de mucosas, formação de cálculos urinários e problemas renais; gordura animal; uva, azeitona, por conter muito sódio, principalmente para animais hipertensos; leite, que pode causar diarreia e vômito, além de cálculos urinários, por conta da quantidade de cálcio; e pães, que, em excesso, causa obesidade”, elenca.

Curiosidades sobre os curiosos. Essa espécie que, a qualquer barulho, sacola plástica ou caixa de papelão já corre para conferir do que se trata, é repleta de singularidades. Pensando nisso, já que o número de gatos cresce cada vez mais, por conta da verticalização das cidades, conhecer algumas peculiaridades pode ajudar o tutor nesta relação comportamental.

A longevidade média dos felinos é de 14 anos, como aponta Juliana, mas pode chegar por volta dos 20. O que varia, segundo ela, é a raça e a condição e estilo de vida do animal. “Um pet que vive na rua está mais susceptível a brigar com outros, contrair doença, ser envenenado, entre outras situações, e aí acabamos perdendo muitos de vida livre”, lamenta.

Já os gatos ‘in door’, ou seja, aqueles que não têm acesso à rua, podem garantir mais anos de vida, contando com suas 500 papilas gustativas e de 60 a 70 milhões de células olfatórias. “Comparado aos cães, que possuem de 80 a 120 milhões de células olfatórias e 1700 papilas gustativas, quando se fala de alimentação, os gatos sentem um número inferior de gostos. O doce, por exemplo, eles não conseguem sentir. Por isso que, quando vamos produzir um alimento para felinos, pensamos muito na palatabilidade e isso não significa apenas sabor”, frisa.

Também é considerado, como revela a profissional, o odor que ele vai sentir, a textura da mastigação e se ele vai conseguir pegar aquele croquete ou não. “Um exemplo que costumo dar é que não adianta você gostar de comida japonesa, mas não saber comer com o hashi (palitinhos) e só te oferecerem ele. Você não vai conseguir comer, não terá uma refeição que seja satisfatória. É o que acontece com os persas diante de alguns formatos de croquetes. Por isso, além de priorizarmos paladar, damos atenção à apreensão do alimento, a fim de tornar o momento de alimentação do gato uma experiência agradável”, exemplifica.

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