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Chocolate: veterinária explica a toxicidade aos animais de companhia

Uma alternativa para agradar o pet é lhe oferecer uma fruta que ele possa comer

Cláudia Guimarães, em casa

claudia@ciasullieditores.com.br

Seja ele ao leite, branco, amargo, com frutas ou crocante. O chocolate - em qualquer uma de suas apresentações - agrada a maioria das pessoas, no entanto, todas essas opções oferecem riscos à saúde dos animais de companhia. Ele é tóxico devido à sua composição, que conta com dois tipos de metilxantinas, que são as vilãs dos pets: a teobromina e a cafeína.

Neste Dia Mundial do Chocolate, a médica-veterinária e analista na equipe de confiança e segurança da DogHero, Amanda de Sant’ Anna Peres, reforça que, independentemente do tipo de chocolate, nenhum deles pode ser ofertado ao pet. “Isso porque todos apresentam certa quantidade de teobromina. Ela está presente no cacau, ou seja, quanto maior a concentração de cacau na composição do chocolate, maior a quantidade de teobromina no alimento. Isso faz com que a concentração da substância mude de acordo com o tipo de chocolate, por isso que alguns acabam sendo mais prejudiciais que outros. Por exemplo, o chocolate branco apresenta mais gordura do que cacau em sua composição, ou seja, a quantidade de teobromina nele é menor do que no chocolate amargo, onde a concentração de cacau é superior”, explica.

Conforme relatado pela veterinária, essas substâncias podem causar intoxicação nos pets, porque o corpo deles não consegue metabolizar e eliminá-las como o nosso organismo. “A teobromina pode circular no corpo por até seis dias e sua eliminação é feita via hepática e não via renal”, menciona.

Chocolate pode causar taquicardia, taquipneia,
hipertensão e, até mesmo, convulsões nos animais
(Foto: reprodução)

Os sintomas dessa intoxicação variam de acordo com a quantidade ingerida das substâncias. Segundo Amanda, os animais podem apresentar quadros de vômito, diarreia, polidipsia (ingestão excessiva de água) e poliúria (urinar em excesso). “Além de alterações cardiovasculares e neurológicas, como ataxia (afetam a coordenação dos movimentos), tremores, excitabilidade, taquicardia, taquipneia, hipertensão e, até mesmo, convulsões”, enumera.

De acordo com a profissional, o nível da intoxicação vai depender da quantidade ingerida e do tamanho do pet, levando em consideração o peso corporal em relação à quantidade de teobromina circulante. “Tudo irá variar de acordo com a susceptibilidade do animal. Estudos apontam que a dose letal varia de 100 a 200 mg/kg, ou seja, para chegar ao nível do cão ou gato vir a óbito, ele precisa ingerir uma quantidade exacerbada dessa substância”, salienta.

Saúde x humanização. Amanda declara que o fato de muitos tutores enxergarem o pet como um igual, faz com que se esqueçam que estão lidando com espécies diferentes e necessidades distintas. “Cada espécie tem um funcionamento específico do organismo. Muitos, infelizmente, enxergam que, se não derem esses ‘petiscos humanos’ ao animal, como chocolate, bolachas e salgadinhos, farão com que o pet os ame menos”, comenta.

Para a veterinária, é crucial a conscientização dos tutores de que muitos alimentos que não oferecem nenhum dano à saúde deles podem, sim, acarretar diversos riscos à saúde do pet. “É papel do veterinário orientá-los sobre quais alimentos, medicamentos e, até mesmo, plantas são tóxicos para os animais. A prevenção de muitos acidentes pode ser feita com a ajuda de um tutor bem instruído e consciente de que, por mais que ele ame seu animal, não pode oferecer certos tipos de alimentos como petisco”, reforça.

A veterinária lembra que, no mercado, existem diversas opções que foram feitas especificamente para os animais. “Produtos com cheiros e sabores tão gostosos e atraentes quanto as comidas que os tutores consomem. É essencial substituir os agrados e recompensas que eram oferecidos antes por esses petiscos que são próprios para os animais”, recomenda.

Uma alternativa citada por ela é oferecer frutas que o pet possa comer. “Elas são doces e, certamente, vão agradar o paladar do animal, sem causar qualquer risco. A banana, por exemplo, é uma boa opção (sempre com moderação para evitar a obesidade)”, aponta e complementa: “Não oferecer um pedaço de chocolate a cães e gatos não é maldade, mas, sim, um ato de amor”.

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