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Fórum Internacional Royal Canin marca dia de conhecimento e interação

Convidados desfrutaram de palestras nacionais e internacionais em São Paulo

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Fazer com que médicos-veterinários se aprimorem em suas áreas de conhecimento, descubram o que está acontecendo fora do Brasil e troque experiências com colegas são os principais objetivos do Fórum Internacional Royal Canin, que, na edição deste ano, ocorreu no dia 12 de agosto, no Hotel Intercontinental, em São Paulo (SP).

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Cerca de 200 profissionais acompanharam as
apresentações do dia (Foto: C&G VF)

A empresa Royal Canin (Descalvado/SP) convidou cerca de 200 profissionais da área de pequenos animais que estavam presentes para acompanhar um dia de palestras e debates sobre comportamento, bem-estar, dermatologia e business para clínicas veterinárias.

A programação começou com uma apresentação da pesquisadora e líder científica do Centro de Pesquisa Waltham (Inglaterra), Sandra McCune, sobre o trabalho desenvolvido pelo centro de pesquisas. "Cada aspecto pesquisado está sendo tratado porque é necessário para um mundo melhor para os animais", comentou e ainda afirmou que o centro tem o costume de compartilhar toda a ciência que descobre para que todos os pets sejam beneficiados. A profissional também abordou o vínculo homem x felinos e apontou os principais benefícios dessa relação em outra palestra. A reportagem sobre essa apresentação estará disponível, em breve, em nosso portal de notícias.

O papel do médico-veterinário na construção de interações saudáveis entre o tutor e seu gato foi tema da apresentação da especialista em comportamento animal, Daniela Ramos.

Ela mostrou um estudo que garante que tutores e veterinários têm níveis semelhantes de conhecimento a respeito das essencialidades do comportamento de gatos domésticos. "Para algumas questões comportamentais, o nível do conhecimento veterinário é baixo e pode comprometer o tratamento", expõe.

Daniela também chamou atenção para um fato: os proprietários mais vinculados a seus pets tendem a leva-los mais às clínicas veterinárias, buscam abordagem preventiva e se comprometem mais com tratamentos sugeridos aos seus animais. "Temos um papel fundamental e até certa obrigação por cuidar da saúde como um todo dos animais de estimação. Isso também é interessante para nós, porque desejamos mais visitas em relação à medicina preventiva", opinou.

A gerente Científica e membro do time de pesquisa e desenvolvimento da Royal Canin Global, Marie-Anne Hours, subiu ao palco do fórum para apresentar o tema "Reação adversa ao alimento: desafios do diagnóstico ao tratamento". Ela explicou quais os processos essenciais para a identificação de contaminação desde as matérias-primas utilizadas até as máquinas que produzem os alimentos e as embalagens. Após esse tema, Marie-Anne continuou sua programação do dia abordando o assunto "Tratamento da Dermatite Atópica Canina: o que há de novo". Os gatos também podem ser acometidos pela dermatite atópica, nesse caso, felina. "Eles podem desenvolver uma pele pruriginosa por inúmeras situações", comenta. Os sinais são reconhecidos facilmente pelo tutor, de acordo com ela, e o principal sintoma é coceira, nos cães, e em gatos pode ocorrer uma autolimpeza maior do que o normal. “Isso o proprietário pode não reconhecer tão facilmente”, ponderou. Para diferenciar se trata-se de uma dermatite atópica ou reação adversa a alimento, Marie-Anne contou que é preciso performar um teste de eliminação, realizado por meio de uma dieta comercial ou caseira. “Se o pet apresentar melhora nos sinais clínicos com a dieta diferente do que está acostumado, diagnosticamos como alérgico ao alimento, se não tiver melhora, é considerado um animal atópico”, explicou. A profissional também expôs um estudo randomizado e controlado para avaliar o efeito estimulante de esteróides da suplementação de ácidos graxos essenciais no tratamento de cães.

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Após as apresentações, os profissionais se
reuniram para tirar dúvidas dos veterinários
participantes (Foto: C&G VF)

Outro palestrante foi o sócio proprietário do Hospital Veterinário Pompeia (São Paulo/SP), Fabiano de Granville, que repassou seu entendimento sobre o consumidor de serviços pet aos convidados. O processo de modelo de compra se divide em três estágios, como ele explica: “A pré-compra, hora em que o consumidor está escolhendo, o estágio de consumo, onde ele está avaliando a qualidade das interações, o estágio de pós compra, quando ele julga a qualidade. Tentamos trabalhar para entregar mais do que o tutor espera, se for menos ele não volta", destacou. Um dos erros mais comuns de clínicas, segundo Granville, é não possuir uma recepção exclusiva para gatos. "Não é algo que seja muito custoso e faz a diferença para o consumidor e para o paciente", comentou.

Outra palestra sobre business foi comandada pelo médico-veterinário e gestor da Animália Clínica Veterinária (Rio de Janeiro/RJ), Renato Costa, que encerrou as apresentações falando da interação com clientes novos, fiéis ou insatisfeitos. O profissional disse que existem algumas técnicas que o veterinário deve seguir para que o cliente fique satisfeito com o atendimento: Atender com um bom sorriso no rosto, ter pontualidade, ser organizado e estar com uma roupa adequada de acordo com a ocasião e região. "Mas, a cereja do bolo é criar empatia, sintonia, rapport (boa relação com o cliente). Para isso, precisamos ser como o camaleão, isso porque atendemos pessoas diferentes durante o dia, pacientes com problemas distintos e personalidades únicas e nos adaptamos em relação a cada caso, porque fomos treinados para isso. Assim como para tratar doenças, somos camaleões para atender cada tipo de personalidade - do animal e do tutor - e nos aproximar dos clientes. Médico-veterinário deve gostar, mais que dos animais, de gente", atestou Renato Costa.

Mesa redonda. Após as apresentações, os palestrantes se reuniram no palco para a discussão dos temas abordados durante o dia a fim de tirar todas as dúvidas dos convidados. Fabiano de Granville contou que a reclamação em relação aos preços de tratamentos e exames é bastante recorrente na clínica. Com isso, ele e sua equipe procura destacar a estrutura oferecida no local e o time de profissionais dispostos a tratar os pacientes. “Dentro daquele clichê administrativo, procuramos, primeiro, mostrar o valor para, depois, dar o preço e isso é importante para que o tutor e nós não tenhamos nenhuma surpresa no meio do processo”, revelou.

Daniela Ramos levantou uma questão polêmica e de interesse aos tutores de felinos: os gatos devem passear? A profissional afirmou que os felinos que possuem acesso à rua são mais felizes, tanto que em países, como na Inglaterra, isso é trivial. “Porém, existem outras questões como doenças, atropelamento e vizinhos que não gostam da espécie. Por isso, a decisão deve ser familiar”, frisou. Passeios com coleiras, assim como realizados com cães, não são a solução segundo a especialista, já que os animais devem sair em seu tempo, no horário que desejar. “A recomendação para deixar esses pets irem para a rua é apenas para aqueles que têm este perfil e são mais seguros”, orientou.

Renato Costa declarou que realiza reuniões mensais com toda a equipe da clínica, onde abordam diversos assuntos, entre eles, o foco de sua palestra: formas de lidar com clientes insatisfeitos. “Realizamos um alinhamento de discurso que deve ser único dentro da empresa”, disse. O profissional também foi questionado a respeito de planos de saúde e acredita que não seja a melhor maneira de fidelizar os clientes, já que, assim, isso ocorre pelo preço e não pela qualidade dos serviços prestados. “Fiz um teste em uma das clínicas para entender como funciona, porque acho que esses planos estão tomando uma dimensão grande, mas não acredito ser uma boa ideia para quem é bom e está indo bem”, opinou.

Para saber se está indo bem, Costa orienta os profissionais a realizarem pesquisas de opinião dentro de seus estabelecimentos. “Crie as perguntas e responda o que você acha que serão as respostas. Algo interessante para perguntar é como o cliente chegou à clínica, porque quanto mais a pessoa chegar por indicação e não porque mora perto, mais você tem a certeza de que está realizando um bom trabalho com os clientes", inseriu.

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Médicos-veterinários comemoram a presença de temas
de suas especialidades no evento (Foto: C&G VF)

Like na programação. Falando em buscar opiniões, os participantes do Fórum ficaram bastante satisfeitos com os conteúdos apresentados. O médico-veterinário da área da dermatologia, Ronaldo Lucas, considera esse tipo de evento bastante interessante. “Nessas ocasiões, vemos o padrão da empresa que investe em pesquisa e em conhecimento e para quem trabalha em uma área específica, como é meu caso, o evento separa uma parte da programação sobre dermatologia, o que resulta em troca de experiências. Saio daqui, hoje, com uma sensação boa porque pude perceber que estamos fazendo o que é feito no resto do mundo, não estamos defasados”, comemorou.

Outro foco do evento foi felinos e, sobre isso, o proprietário das clínicas Cat para Gatos e The Cat From Ipanema, ambas no Rio de Janeiro (RJ), Carlos Gabriel Almeida Dias, afirma ser prazeroso de participar, já que o Fórum contou com palestrantes que enaltecem os felinos enquanto pacientes. “É uma mistura de encontro com colegas de profissão e melhora técnica de conhecimento, além da oportunidade do contato com palestrantes internacionais. Temos a chance de ampliar as abordagens clínicas e comportamentais e, também, desfrutamos de um entretenimento, já que a Royal Canin nos mima e gosta de fazer isso, para que não seja apenas um encontro profissional”, elogia.

A palestrante Marie-Anne também falou sobre o encontro em uma entrevista exclusiva à C&G VF. “Acredito que eventos como este sejam essenciais uma vez que um dos pilares da empresa é o conhecimento. Outro foco da Royal Canin é fazer um mundo melhor para os pets e, compartilhando informações que enriquecem o trabalho de profissionais, é mais fácil alcançarmos esse objetivo”, pontuou a especialista que expressou estar feliz e impressionada com a qualidade da Medicina Veterinária exercida no Brasil: “Me surpreendi tanto no cuidado que os brasileiros têm com os animais, como na qualidade técnica desses profissionais”, inseriu.

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