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Clínico ou gestor? Veterinário deve escolher apenas um dos caminhos

Profissional deve separar suas funções para o bem de seu negócio

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Alguns chamam de dom, outros de vocação, outros reforçam que trata-se única e exclusivamente de conhecimento aplicado. O fato é que nem todas as pessoas sabem atuar em todas as áreas e, por isso, no momento de escolher qual caminho trilhar dentro de seu próprio negócio, o médico-veterinário deve ter sua vontade bem definida: clinicar ou gerir?

“Eu gosto de dinheiro”, diz o especialista em finanças, gestão e desenvolvimento de carreiras, Fernando Toniol, que menciona o fato de que, normalmente, quando as pessoas entram para a Medicina Veterinária, fazem isso por uma paixão por um animal que teve no passado ou por um ideal que criam. “A questão é que não dá para viver de amor. Quando montamos uma clínica ou hospital, temos que ter em mente que é um negócio”, assegura.

De acordo com Toniol, se o profissional gosta de clinicar e mais nada, deve investir para ganhar dinheiro clinicando. “Essas pessoas não devem se meter na gestão. Mas, se a gestão é a primeira opção, tudo bem. O veterinário só deve saber fazer cada coisa em seu momento”, declara.

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O gestor deve colocar a parte administrativa e financeira
da empresa para funcionar (Foto: reprodução)

Para passar esses ensinamentos aos colegas veterinários, o especialista criou uma frase: “Deixa de ser besta! Tem muita gente mais inteligente e talentosa que você. Aprenda a trabalhar com eles e ganhe dinheiro”. Isso porque, quando um clínico e dono de empresa encontra alguém talentoso, tem ciúmes. “Mas temos que contar com pessoas talentosas. Elas atraem clientes e dinheiro. Uma coisa curiosa na nossa área é que os técnicos muito capacitados não sabem ganhar dinheiro nem mesmo para eles. Vários veterinários que montaram empresas e são muito bons como clínicos, não foram para frente porque são péssimos gestores”, avalia.

Por definição. Gestor é aquele que gerencia bens ou negócios, como lembra Toniol. Ou seja, é aquele que coloca a empresa, em sua parte administrativa e financeira, para funcionar. “Tem muita coisa para fazer, mas, normalmente, não é feito. Jogamos coisas nas costas do contador, do recepcionista ou, entre um atendimento ou outro, tentamos fazer. Mas, infelizmente, o dia a dia do mercado veterinário consiste na ausência de uma boa remuneração. Enfrentamos uma crise no País, mas, também no setor pet, pois não fomos capacitados para aprender gestão na faculdade e o mercado, hoje em dia, nos obriga a atender por amor, senão somos veterinários do mal”, opina.

Já o empresário, segundo Toniol, é o dono ou dirigente de uma empresa, o que opera no agenciamento de negócios. “Se você é um empresário, investiu dinheiro para montar o negócio e não tem condições de ser gestor, contrata alguém capacitado. Monitore, pois não deixou de ser o dono, cobre resultados, olhe planilhas, confira, mas passe esse trabalho para alguém”, ensina.

Decisão tomada. Caso o profissional decida ser gestor do seu próprio negócio, deve tomar algumas atitudes, como orienta Toniol. O primeiro passo é separar seu momento de veterinário de seu momento de gestor e dividir: funções, remunerações, horários, e-mail de atendimento e de gestão, contatos de clientes e de colaboradores e fornecedores. “A remuneração é algo bastante importante. Temos mania de sermos o último remunerado na empresa. Quando o dinheiro entra, pagamos contas, fornecedor, funcionário. E o seu trabalho fica onde? Se é gestor da empresa, deve receber uma remuneração adequada”, destaca o especialista que não defende a ideia de oferecer descontos em serviços veterinários.

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Fernando Toniol é sócio proprietário do Centro
Veterinário Pet Especialidades (Foto: reprodução)

Para ele, toda empresa, independente do ramo, precisa de um gestor, pois, se não houver o mínimo de administração, o negócio vira bagunça. “E as pessoas se dão conta dessa essencialidade quando ponderam: Quanto custa um gestor? Quanto custa eu mesmo fazer a gestão da empresa? Quanto custa uma empresa falida?”, menciona.

Para isso, cursos financeiros e administrativos são indicados por Toniol, que defende que um gestor aplicado deve ir atrás de conhecimento, saber o que é uma planilha, o que é balanço e o que é caixa. “Até para poder questionar o contador ou, caso o veterinário não vá gerir a empresa, para, então, questionar o gestor. Nós temos que ter uma noção real disso, pois não existe fórmula mágica. Hoje, vemos na internet 50 vendedores de ilusão: ‘8 passos para isso’, ‘10 passos para aquilo’. Isso não existe! Se não tivermos conhecimento técnico, não teremos sorte. Tem picareta que dá sorte? Tem, mas, infelizmente, não podemos contar com isso”, frisa.

Por experiência própria. Toniol, que é sócio proprietário do Centro Veterinário Pet Especialidades (Brasília/DF), garante que o dinheiro existe para todos, mas não basta apenas fé e boa vontade. “É necessário trabalho e dedicação. Dessa forma, as chances aumentam muito. Temos que entender que nosso mercado é muito bom para ganhar dinheiro, por um motivo muito simples: mesmo com todo dinheiro que ele move, ainda é um mercado amador. Para abrir uma farmácia, por exemplo, é preciso passar por uma série de exigências que não existem no banho e tosa e, nem mesmo, para abrir um consultório veterinário”, compara.

Ele conta que o plano, quando o Pet Especialidades, foi montado foi pegar um grupo grande de profissionais que não sabiam ganhar dinheiro. “Hoje, é uma alegria ouvir alguns falarem que nunca ganharam tão bem, não só os sócios, mas a equipe também. O profissional que te dá dinheiro, tem que ganhar dinheiro, senão ele vai embora”, finaliza.

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