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Cardiologistas têm grande importância na vida dos animais de companhia

Empresas de medicamentos também podem beneficiar a especialidade

 Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Prevenir e identificar cardiopatias e, nos casos dos animais já diagnosticados como cardiopatas, aumentar a sobrevida e proporcionar qualidade de vida. Essa descrição do trabalho do Cardiologista Veterinário é da veterinária cardiologista clínica e ecocardiografista volante, parte da equipe de cardiologia do Hospital Veterinário Pet Care (São Paulo/SP), e diretora de publicidade da Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (SBCV, São Paulo/SP), Cássia Cristina Santiago dos Santos.

Essa qualidade de vida, segundo a profissional, pode ser oferecida por meio do manejo ambiental, terapia medicamentosa e/ou cirúrgica para que o animal possa levar uma vida mais próxima do normal. Portanto, esse especialista possui grande importância na vida dos animais de companhia e, assim, falaremos dele e de sua área hoje, no Dia do Cardiologista.

Na visão de Cássia, cada vez mais os generalistas percebem a importância do profissional especializado em cardiologia, trabalhando em parceria na rotina veterinária. “Seja realizando exames eletrocardiográficos e ecocardiográficos pré-operatórios, quando há suspeita/ diagnóstico de doenças cardíacas ou mesmo para check-ups anuais, como já é preconizado na Medicina Humana”, comenta.

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Para alcançar bons resultados, Cássia destaca a essencialidade
de haver estudos dentro da especialidade (Foto: reprodução)

Prós e contras. Assim, os pontos positivos de ser um cardiologista, para Cássia, são: garantir qualidade de vida e aumentar a sobrevida dos pacientes, além de auxiliar colegas no diagnóstico precoce de doenças cardíacas e ajudá-los a realizarem procedimentos cirúrgicos com mais segurança. “O ponto negativo é que, atualmente, os principais tratamentos para as doenças cardíacas ainda são paliativos, fazendo com que nossos pacientes vivam por anos estáveis, mas ainda com a cardiopatia. E, muitas vezes, por mais que nos esforcemos utilizando todos os subterfúgios disponíveis no mercado, estes pacientes vêm a óbito por conta destas doenças. E perder um paciente nunca é fácil”, lamenta.

Ainda dentro do mercado, outro ponto prejudicial, segundo a veterinária, é que, infelizmente, alguns profissionais entram no mercado da cardiologia sem o devido preparo e experiência. “Por conta disso ocorrem erros diagnósticos e terapêuticos e a desvalorização do profissional qualificado”, compartilha.

Desenvolvimento da área. Para alcançar bons resultados, Cássia destaca a essencialidade de haver estudos dentro da especialidade. “Entre os objetivos mais fortes estão: a elaboração de medicamentos mais potentes e com menos efeitos colaterais, voltados exclusivamente para a Medicina Veterinária (levando-se em conta o tamanho e as características fisiológicas de cada animal), diagnósticos precoces e mais precisos de cardiopatias, com base em novos recursos que já são utilizados na Medicina, desenvolvimento de técnicas cirúrgicas para correção de cardiopatias e o conhecimento das etiologias de doenças que ainda não são bem estabelecidas”, enumera.

Nesse âmbito, as empresas de medicamentos veterinários também têm grande importância para a evolução da especialidade, já que possuem um bom nicho para explorar. “Muitas medicações utilizadas na Cardiologia Veterinária ainda são humanas e, muitas vezes, as concentrações das formulações encontradas no mercado são altas para os nossos pacientes (na maioria, animais de pequeno porte). E, com a elevação da expectativa de vida dos animais de estimação e, consequentemente, aumento no número de animais cardiopatas, estas medicações são cada vez mais utilizadas”, pondera.

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Na rotina do cardiologista, em gatos, é comum encontrar
diagnósticos de cardiomiopatia hipertrófica (Foto: reprodução)

Aos estudantes de Medicina Veterinária que desejam se especializar em cardiologia de pequenos animais, Cássia passa algumas recomendações: “Façam estágio na área e nunca tenham receio de perguntar. E, depois de formados, se atualizem. A SBCV oferece cursos de atualização em todo o Brasil, inclusive, por meio de palestras on-line. Ou seja, estudem! Nunca subestimem o poder do saber! O acesso à informação está cada vez mais fácil e errar usando a desculpa de que ‘não sabia’ já não é aceitável”.

Para os demais profissionais, a cardiologista lembra que o Título de Especialista em Cardiologia Veterinária, aprovado recentemente pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF), é um passo muito importante para a área e para a profissão propriamente dita. “Ele estimulará a educação continuada e a capacitação dos profissionais que amam essa especialidade”, conclui.

Faz parte da rotina. Dentro dos consultórios, os veterinários já sabem quais as opções de enfermidades que podem se deparar no dia a dia. No geral, cães de pequeno porte são mais acometidos pela valvopatia mixomatosa, uma doença degenerativa das valvas cardíacas. Já cães de porte grande ou gigante e gatos são mais acometidos por doenças do músculo cardíaco, as cardiomiopatias, como atenta Cássia. “Nos cães de porte grande ou gigante observamos mais a cardiomiopatia dilatada e, em gatos, a cardiomiopatia hipertrófica”, revela.

Além disso, a profissional cita que ambas as espécies também podem nascer com problemas no coração, que é o caso das cardiopatias congênitas. “As mais frequentes são a persistência de ducto arterioso, estenose aórtica, estenose pulmonar e as comunicações interatriais ou interventriculares”, diz.

Os estudos aplicados na especialidade já resultaram em um conhecimento importante aos profissionais, como discorrido por Cássia: “As raças Poodle, Dachshund, Yorkshire Terrier e Cavalier King Charles Spaniel são predispostas à desenvolverem a valvopatia mixomatosa. Já Doberman, Golden Retriever e Boxer são mais predispostos à cardiomiopatia dilatada. Maine Coon, Ragdoll e Persa são mais acometidos pela cardiomiopatia hipertrófica”, indica.

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