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Animais com Displasia Coxofemoral requerem cuidados especiais

Atores doam cão displásico porque o mesmo não se adaptou ao piso da casa

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br 

A crescente evolução da Medicina Veterinária vem abrindo espaço para os veterinários se dedicarem às diversas especialidades médicas existentes. Uma das especialidades em ascensão é a ortopedia de pequenos animais, que, hoje, tem amplo acesso a diagnóstico e tratamentos inovadores e de última geração, proporcionando melhor qualidade de vida aos pets. 

Conforme explica o médico-veterinário professor de Técnica e Patologia Cirúrgica de Pequenos Animais da Universidade UNG, Renato Dalcin Segala, problemas ortopédicos podem acometer animais de companhia desde o nascimento até o fim da vida. “Uma doença que rotineiramente é diagnostica é a Displasia Coxofemoral (DCF), enfermidade ortopédica de caráter hereditário, podendo, raras vezes, ser considerada adquirida, e que acomete cães de pequeno e grande porte e, também, os gatos”, explica. 

Os cães de raças grande e gigante, como Rottweiler, Pastor Alemão, Labrador, Golden Retriever, Cane Corso, Bernese, Fila Brasileiro, entre outras, são os mais acometidos, segundo o profissional. “A DCF é caracterizada por uma incongruência e consequente instabilidade da articulação coxofemoral (articulação entre o fêmur e o quadril), que resulta em sintomatologia clínica, que pode variar de claudicação leve à impotência funcional dos membros pélvicos”, menciona. 

Quadros de dor e desconforto ao se levantar e transpor obstáculos são sinais característicos da doença. Além disso, como conta Segala, os sinais clínicos podem aparecer nas primeiras semanas ou meses de vida. “A sintomatologia clínica do paciente jovem é justificada pela frouxidão e instabilidade da articulação, resultando em quadro de dor e inflamação na superfície articular. Já no paciente adulto, o quadro degenerativo e de osteoartrose, que, normalmente, se desenvolve nessas articulações, é o grande responsável por esses sintomas”, declara. 

Ainda, alguns fatores como rápido crescimento e desenvolvimento, ganho de peso excessivo, perda de massa muscular, exercícios intensos quando filhotes e presença de piso liso no ambiente onde vivem são considerados predisponentes para uma evolução gradativa da doença, segundo o veterinário. 

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Ator alegou que não poderia trocar o piso do
apartamento pois ele é alugado (Foto: divulgação)

Descoberta e tratamento. Segala cita que o diagnóstico da DCF é realizado pela constatação dos sintomas, avaliação ortopédica minuciosa e exame radiográfico específico das articulações coxofemorais. “O diagnóstico precoce e o acompanhamento radiográfico da articulação acometida são fundamentais para a decisão do tratamento e tentativa de controlar a evolução da doença”, frisa. 

O tratamento, de acordo com o veterinário, pode ser conservativo, com administração de analgésicos, anti-inflamatórios, condroprotetores, redução de peso e substituição do piso onde o paciente habita. “Também deve restringir exercícios que sobrecarreguem as articulações coxofemorais, como transpor obstáculos, carregar peso, subir escadas ou puxar pessoas em bicicletas e/ou skates. Ainda fazem parte do tratamento conservativo a realização do tratamento fisioterápico e da acupuntura, que colaboram para a analgesia e ganho de massa muscular”, elucida. 

Em suma, Segala destaca que a Displasia Coxofemoral é uma doença de grande relevância e importância na ortopedia de pequenos animais, que pode comprometer a qualidade de apoio e, consequentemente, de vida dos pets. “Inúmeras formas de tratamento estão disponíveis na Medicina Veterinária visando garantir boa qualidade de vida e, com altas taxas de sucesso, tornando-se inaceitável a atitude de abandono, doação ou até mesmo eutanásia de animais com DCF”, observa. 

No entanto... A ex-BBB Mayra Cardi e seu marido, o ator Arthur Aguiar, anunciaram a doação de seu cão, um Golden Retriever chamado Pipoca, alegando que o animal não teria se adaptado ao piso do apartamento em que moram. O motivo? O pet possui DCF e Arthur Aguiar afirmou que a única alternativa foi doá-lo, uma vez que eles não poderiam trocar o piso do apartamento que é alugado e por não terem condições de rescindir o contrato por conta da multa alta. 

Criar pacientes sabidamente displásicos em pisos lisos pode agravar o problema articular, como reforça a médica-veterinária Renata Lins. “Em relação aos tutores terem optado por doar o cão com displasia, pode ter sido a saída que analisaram como sendo a melhor. Não avaliei o grau da patologia, por isso, não saberia dizer se é possível indicar a cirurgia ou somente tratamento conservador (cuidados paliativos com alimentação, ambiente, e /ou uso de medicamentos). O fato é que ter um animal com displasia gera mais gastos e mais cuidados com os mesmos. A mim não cabe julgar tal atitude”, declara. 

Para a profissional, a Medicina Veterinária vem evoluindo muito e, hoje em dia, é possível proporcionar uma boa qualidade de vida para pacientes com displasia e outras afecções.

Confira o depoimento de Arthur Aguiar:

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